Rio em cores e formas

Por mais que o tempo passe e que a vida siga seu curso, há certas coisas que não desgrudam da gente tão facilmente. O fato de viver em São Paulo trabalhando como jornalista, por exemplo, não apaga minhas fortes raízes cariocas e nem os dez anos em que atuei no mercado publicitário. E digo mais: tanto a alma carioca quando a verve criativa são elementos que dão mais consistência e autenticidade a tudo o que faço, pessoal e profissionalmente.

Por isso tudo, o anúncio de que o Rio de Janeiro havia sido escolhido como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 mexeu comigo. Como carioca, fiquei orgulhoso. Conheço muito bem a vocação turística e esportiva da cidade, assim como seu perfil acolhedor e descontraído. Tudo a ver, portanto, realizar um evento destes na cidade que está sempre de braços abertos para todos os povos.

Já como jornalista e cidadão, critiquei e continuarei criticando o modus operandi do COB e da Prefeitura, que por mais que se expliquem jamais vão conseguir justificar decentemente a demolição deliberada de uma praça esportiva em pleno funcionamento – o Autódromo de Jacarepaguá – para construção de outras instalações no mesmo terreno. Desrespeito com a comunidade automobilística e falta de critério, para dizer o mínimo, na utilização dos cofres públicos.

Neste cenário contraditório, o evento Rio 2016 ganhou alguns preciosos pontos comigo um ano e dois meses depois daquele anúncio. Durante os festejos de réveillon na Cidade Maravilhosa, fiquei encantado ao conhecer a marca dos Jogos, revelada na noite do dia 31 de dezembro de 2010. Além de me identificar com o desenho, fiquei mais orgulhoso ainda ao saber que a criação era da Tátil Design, agência carioca cujo trabalho é de uma competência incontestável, e do qual sou fã há muitos anos.

Para vencer a concorrência, que envolveu 139 agências de todo o Brasil, a Tátil apresentou um símbolo que representa de maneira fantástica o espírito do carioca e a atmosfera da cidade, aliando beleza, movimento, alegria, leveza e união. Uma forma tridimensional realçada com as cores da bandeira nacional, que ganhou ainda mais personalidade com uma fonte criada especialmente para acompanhá-la. Um processo que levou seis meses, parcimonioso como deve ser algo deste porte.

Nesta segunda-feira, após a folga de fim de ano, retorno a São Paulo para retomar a rotina de trabalho como jornalista. Mas posso dizer que começo o ano feliz com o clima de renovação e paz que tomou conta da minha cidade nas últimas semanas e orgulhoso da capacidade criativa dos publicitários que vivem nela. São coisas assim que me dão a certeza de que sempre é possível melhorar o que já é bom.

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