Caminhos cruzados

Mesmo com apenas um time classificado para as semifinais, o futebol sul-americano mostrou lances de brilho nesta Copa do Mundo, especialmente com as seleções menos badaladas. Em determinado momento, o Mundial 2010 foi apelidado de Copa América, mas no fim das contas acabou virando a Eurocopa de sempre.

Duas destas seleções sul-americanas chegaram à África do Sul cobertas de expectativa, cada uma à sua maneira. Embora vivendo momentos muito diferentes entre si em termos de administração e estilo de jogo, Brasil e Argentina percorreram caminhos bem parecidos em território sul-africano. Desde a primeira fase até a dolorosa eliminação. Veja só.

Na fase de grupos, as duas maiores seleções do continente americano enfrentaram uma equipe africana (Nigéria para os Argentinos, Costa do Marfim para os brasileiros), uma Coreia (nós pegamos a do Norte, eles a do Sul) e um dos finalistas da Euro 2004: enquanto os hermanos encararam a Grécia, o Brasil entrou em campo contra Portugal.

Tanto os brasileiros quanto os argentinos terminaram seus grupos em primeiro lugar. E foram para as oitavas confiantes para os duelos contra outras seleções latino-americanas, que acabaram voltando para casa depois de levar três gols. A equipe vestida de azul e branco derrotou os mexicanos por 3×1, ao passo que o escrete canarinho sapecou 3×0 nos chilenos. Velhos fregueses de outras Copas, que mais uma vez não foram páreo para os rivais.

Aí vieram as quartas de final, e ambos tiveram pela frente grandes forças do futebol europeu. Seleções com quem já haviam se encontrado em Mundiais anteriores, com um histórico de vitórias e derrotas para os dois lados. Com Brasil enfrentando a Holanda e a Argentina duelando com a Alemanha, o caldo desandou. E, de forma inesperada, os sul-americanos foram embora mais cedo de África do Sul.

Entre o 2×1 de virada que desclassificou os brasileiros e o 4×0 que mandou os argentinos para casa, novas coincidências. Em campo, a decepção dos camisas 10 Kaká e Messi, que chegaram badalados como os melhores do mundo e saíram da competição sem sequer balançar as redes. Fora do gramado, o desânimo dos treinadores, Dunga e Maradona, que não conseguiram repetir desta vez o que fizeram como jogadores, quando foram capitães de suas seleções e tiveram a honra de erguer a taça como campeões mundiais.

Para 2014, as duas seleções precisarão retomar seu caminho natural, que é vencer e encantar ao mesmo tempo. Até lá, muito pode ser feito, e certamente será. Porque, afinal, trata-se de Brasil e Argentina. Diferentes, sim. Mas com muita coisa em comum.

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1 comentário

  1. A sensação dessa Copa do Mundo foi o Uruguai, sem dúvidas. Está certo que não pegou tanta pedreiras (Coréia do Sul e Gana), mas soube aproveitar a chance e se classificou muito bem em um grupo bastante difícil.
    No jogo de hoje contra a Holanda deu gosto de ver os caras jogarem. Atacaram no jogo, e mesmo perdendo de 3 a 1, não abaixaram a cabeça e no final do jogo foi um verdadeiro massacre, diferente da seleção brasileira que bastou tomar apenas o gol de empate que todo mundo ficou apavorado.
    Nossas seleções nos últimos anos são reflexo dos treinadores. Em 2006 perdeu por ser uma seleção apática e sem brilho igual ao Parreira, e nesse ano perdeu por ficarem totalmente desequilibrados emocionalmente, igual ao Dunga.

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