‘Prestem muita atenção! Só vou fazer uma vez!’

A frase que dá título a este texto foi extraída de uma charge, na qual um homem-bomba se prepara para demonstrar a pequenos e assustados aprendizes a técnica de detonar explosivos espalhados pelo próprio corpo. O tom do cartoon se justifica, desta vez, diante de um desafio pra lá de radical anunciado no início de fevereiro, que deve testar os limites do corpo humano de maneira inédita: em busca de uma série de recordes, o austríaco Felix Baumgartner, praticante de skydive (modalidade de salto em que o atleta executa manobras em queda livre), saltará da estratosfera rumo ao desconhecido.

A intenção do paraquedista é atingir 36.567 metros numa viagem de três horas a bordo de uma cápsula pressurizada, equipado com uma roupa semelhante à dos astronautas. E, de lá, saltar em queda livre por milhares de quilômetros, batendo a marca anterior, estabelecida há cinquenta anos, de 31.333 metros. De quebra, tornando-se o primeiro homem a romper a barreira do som sem o uso de uma aeronave, superando amplamente os 1000 km/h na descida. O problema é saber se o organismo suportará as condições de temperatura, pressão, aceleração, velocidade e desaceleração às quais será submetido durante o salto, cuja força vertical deve atingir 10G, ou seja, dez vezes mais que a gravidade terrestre.

Para se ter ideia dos riscos da empreitada, basta dizer que os aviões comerciais (pressurizados, claro) voam costumeiramente a 12.000 metros de altitude, sendo que o limite legal para voos em cabines despressurizadas é quatro vezes menor. A baixa concentração de oxigênio no sangue, que pode causar perda da consciência a partir dos 7.900 m, é apenas uma das consequências de quem ultrapassa a troposfera. Além de sonolência, perda de memória, alteração no equilíbrio, dilatação de gases no organismo e fala incompreensível, a pessoa também sofre os efeitos do frio, cuja medida real pode duplicar por causa da alta velocidade. A cinquenta graus negativos, por exemplo, o congelamento da pele ocorre em menos de um minuto. E lá na estratosfera a coisa é um pouco pior, na casa dos 70 negativos.

Prestes a completar 41 anos, Baumgartner está treinando há meses para executar o salto, em túneis de vento verticais onde simula os efeitos do vento e da velocidade. O moço, que já pulou do alto das torres Petronas, na Malásia, e também da estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, aproveita as sessões para ensaiar as manobras e posições mais adequadas para cada estágio de altitude. Seu consultor no projeto é ninguém menos que o ex-piloto da Força Aérea estadunidense Joe Kittinger – o mesmo que estabeleceu a marca acima dos 31 mil metros há meio século. Aos 81 anos, Joe será o responsável por conversar via rádio com Felix, seu maior fã, durante o período de queda livre. A aventura será transmitida pela Internet, ao vivo, em data ainda não estabelecida. O local também requer confirmação, pois as condições climáticas serão determinantes para a realização deste feito.

E você aí com medo de altura… Ai ai.

No Twitter: @RedBullStratos

Participe da discussão

3 comentários

  1. É isso aí, as intempéries que o cara vai enfrentar são absurdas para os limites do corpo humano. Agora, essa história de romper a barreira do som é que tenho minhas dúvidas. Quem estuda isso sabe que a barreira é uma zona muito perigosa, e se um jato, ao inves de romper a barreira, ficar voando NA barreira, pode sofrer danos estruturais sérios… Imagine um corpo humano…
    Parafraseando Marcius Melhem e Leandro Hassum: “O Cara sobe na montanha… PRA QUE???? Chega lá no topo…. Sabe o que ele faz depois? Desce… PRA QUE???”
    Abraços

  2. Fala, Grun! Hoje venho aqui saber se vc tem interesse numa parceria com o Motorizado, numa troca de links. Criei uma segunda barra lateral no blog para incluir publicidade e banner de parceiros. Se vc quiser, podemos ampliar a parceria numa troca de buttons tb. Abração!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *