Who’s bad?

Michael Jackson, o rei do pop, na época do lançamento de Moonwalker / Foto: divulgação Sony Music

É duro demais encarar perdas como a de Michael Jackson. Ainda mais quando você recebe a notícia tendo ao seu redor figuras sem coração, que preferem repetir e criar piadinhas infames em vez de ter um pouco de respeito ao próximo. Gente de alma pequena, que ignora a grandeza de um astro em todos os sentidos. Uma figura cujo magnetismo era tamanho e tão presente que se provou capaz de atrair as coisas boas e as coisas ruins em doses colossais, durante toda a vida.

Michael atravessou todos os limites, quebrou todos os parâmetros que existiam antes dele mesmo existir. Chocou, brilhou, transformou, revolucionou, amplificou. Veio ao mundo com a missão de ser o Rei do Pop, e a cumpriu com perfeição. Reinou absoluto, sem que houvesse uma pessoa no mundo que duvidasse de tal condição. Ultrapassou o que se conhecia por música, dança, discos, videoclips, shows e criou uma nova dimensão audiovisual. A dimensão de um astro-rei.

Quem, em algum momento da vida, não se encantou com seus passos, tentando imitá-los? Que não ficou boquiaberto e contagiado pela energia e criatividade de seus clips? Que não se deixou levar por suas canções, acompanhando o ritmo infalível, fosse cantando as letras marcantes ou ouvindo sua voz inconfundível? Michael encantou e continua encantando gerações e gerações, e assim será para sempre. Simplesmente porque Michael Jackson era um gênio, desses que não nascem toda hora.

Michel, como artista, sempre foi Rei. E aceitou isso com a naturalidade de quem sabe, por instinto, aquilo que deve fazer. Aos 25 anos, já era o dono da carreira artística mais bem sucedida de todos os tempos, sendo o autor de obras (não apenas músicas) literalmente espetaculares. Já Michael, o homem, era um menino que não queria crescer. E que pagou caro por isso. Nem mesmo a opção de se esconder em seu rancho Neverland (Terra do Nunca) foi suficiente para evitar que o pior acontecesse.

Os efeitos de uma infância difícil, seguida pelo sucesso precoce e posteriormente incontrolável, já seriam suficientes para causar danos em sua personalidade. A doença em sua pele e a dificuldade de lidar com gente interesseira só contribuíram para a degradação de um homem que nunca deixou de ser um menino. Aquele menino negro e sapeca que cantava com um cativante sorriso no rosto, dançando ao lado dos irmãos.

Nestes últimos anos, somente os que gostavam verdadeiramente de Michael eram capazes de enxergar sua pureza. Que foi abafada por uma avalanche desenfreada de energia ruim, impulsionada especialmente pelo ingrato ‘mundo pop’. Um mundo cuja dívida de gratidão deveria ser absolutamente infinita, pelo tanto que Michael fez e pelo que ainda fará.

Julgar, acusar, rotular é fácil. O exercício mais difícil, sempre, é o de compreender.

Participe da discussão

6 comentários

  1. O artista morreu faz tempo, há quase duas décadas. A morte de ontem foi a de uma caricatura tentando se reerguer.

    A qualidade de sua obra é inegável, sem dúvida, mas isso não é motivo para ignorarmos suas esquitices nem considerá-las como resultados de uma vida tumultuada por 45 anos.

    Michael, querendo ou não, era um homem de 50 anos e perfeitamente capaz de responder por seus atos. A imagem de menino angustiado não cola.

  2. Gostei. É uma crônica de nossa geração, de uma geração mais condescendente, talvez mais humana, a última classe média que jogou bola na rua e não foi treinada para a competição como um fim em si mesmo.

    Não compartilho do entendimento de que o artista havia morrido. O que foi perdido é a inocência, e nesse caso do Michael, a criatividade.

    Perdeu o ritmo dos tempos, não soube, ou melhor, não conseguiu se reiventar como a Madona, mas nem por isso sua obra pode ser desmerecida.

    Enfim, o artista não morreu nem morrerá nunca, mas o homem talvez estivesse morto.

  3. Uma coisa que ninguém diz e que é óbvia: apesar do enorme talento, Michael é um bom exemplo de alguém que jogou a vida no lixo, com todas as oportunidades que ele teve.

    Ficou a obra, mas também a lembrança de uma vida triste, solitária, apesar do sucesso estrondoso, e com uma enorme mancha que ele carregou até a morte: as acusações de pedofilia.

    Estas, embora nunca tenham sido provadas, ficaram no ar pelas declarações que ele mesmo deu há alguns anos, ao admitir que dormia com crianças.

    Não há nada a ser compreender do homem Michael Jackson. Ele teve a vida que quis, quando tinha todas as condições de pedir ajuda a quem quisesse.

  4. “somente os que gostavam verdadeiramente de Michael eram capazes de enxergar sua pureza”.

    Não é bem assim. Fã que é fã não vê defeito em seus ídolos nem sob tortura, por mais evidentes que sejam.

  5. “Michael encantou e continua encantando gerações e gerações, e assim será para sempre.” Meu filho chegou em casa contando que seu amiguinho, de 6 anos de idade, que vivia imitando os passos do rei do pop, chorou na escola, contando à turma que Michael Jackson morreu.
    Para consolá-lo, meu filho falou o mesmo que a mãe lhe disse no dia anterior: “Ele morreu , mas sua musica não morreu.”.
    Criançada esperta…
    Abraços, Grun!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *