Tá rindo de quê, mané?

No último domingo, 14 de junho, o espanhol Julian Simon, que disputa o Mundial de Motociclismo na categoria 125cc, pagou um dos maiores micos do esporte em 2009. Ao fechar a vigésima primeira volta da etapa da Catalunha, ele estava em primeiro lugar, com alguma vantagem para o segundo colocado. O piloto não teve dúvidas: ergueu o braço esquerdo e comemorou. Enquanto isso, na mureta dos boxes, sua equipe tentava, em vão, informar algo que ele ainda não havia se dado conta – a corrida não tinha 21, e sim 22 voltas. Simon perdeu posições e bem que tentou se recuperar, mas o estrago estava feito. Ele terminou a corrida em quarto lugar.

O episódio inspirou as equipes do programa Globo Esporte, no Rio de Janeiro e em São Paulo, a levantar outras comemorações, digamos, ‘fora de hora’. As matérias não abordaram todas, porque a lista é grande. Mas aqui no Grün Blig você confere os principais micos da história do esporte protagonizados por quem achou que a fatura já estava liquidada.

Decisão acalorada no Basquete
Olimpíada de Munique, 1972. Tendo como pano de fundo uma disputa política chamada Guerra Fria, os times de Estados Unidos e União Soviética se enfrentam na disputa pela medalha de ouro. O jogo é apertado, emocionante e, principalmente, muito parelho. No que parecia o último lance da partida, os estadunidenses acertam uma cesta, tomam a vantagem no placar e comemoram muito o suposto final por 50×49. Mas os árbitros, serenos, expulsam da quadra a multidão de jornalistas, comissão técnica e jogadores reservas, informando que ainda faltam três segundos para o fim do jogo. Aparentemente, não há tempo para mais nada. Porém, o oportunista Aleksandr Belov encontra uma brecha na defesa adversária e marca os dois pontos necessários para colocar os soviéticos em vantagem: URSS, ouro, 51; EUA, prata, 50.

Hino pé frio no Futebol
Final do Campeonato Brasileiro de Futebol, 1987. Guarani x São Paulo jogam a última partida da decisão do campeonato de 1986, em Campinas. O jogo, movimentado, termina 1×1 no tempo normal e vai para a prorrogação. No tempo adicional, o São Paulo faz mais um, mas o Guarani marca duas vezes com João Paulo e parece caminhar para o título. A torcida festeja. Até mesmo o hino do Bugre começa a tocar no sistema de som do estádio Brinco de Ouro. Então, a dois minutos do fim do jogo, o São Paulo empata com um gol de Careca, levando a decisão para os pênaltis. Por 4×3 nas penalidades, o tricolor paulista fica com o título, calando de vez a torcida local.

Mais uma de Nigel Mansell na F-1
GP da Canadá de Fórmula 1, 1991. A equipe Williams, depois de diversos problemas no início da temporada, finalmente consegue combinar velocidade com resistência. Os controles inteligentes do carro ajudam, e lá vai Nigel Mansell para uma das vitórias mais fáceis de sua carreira. Eis que, na última volta, o inglês – conhecido por suas inúmeras trapalhadas – começa a dar ‘tchauzinhos’ para as câmeras, feliz com o resultado iminente. Para isso, diminui a velocidade de seu carro a tal ponto que o gerenciador eletrônico do motor Renault aciona o desligamento automático do propulsor. Mansell pára a duas curvas da bandeirada, dando de presente ao rival Nelson Piquet aquela que seria sua última vitória na Fórmula 1.

Sobrenatural de Almeida no Futebol
Campeonato Carioca de Futebol, 2001. Fluminense e Flamengo empatam no tempo normal por 1×1, levando a decisão da Taça Guanabara, primeiro turno do campeonato, para as cobranças de pênaltis. Tudo transcorre normalmente, até que chega a vez do rubro-negro Cássio bater. O goleiro Murilo se posiciona, cai no tempo certo e rebate a bola. Por um segundo, a torcida tricolor comemora. E Murilo, ao levantar, se prepara para fazer o mesmo. No entanto, ele repara que a bola não está em campo. Onde estaria? Pois bem. Um efeito e tanto faz a bola subir bastante depois da defesa, para cair maliciosamente próxima à linha. Quando isso acontece, o goleiro até tenta chegar nela, mas já é tarde demais. Ela rola devagar para dentro do gol. Ao final das cobranças, o Flamengo vence por 5×3 e garante vaga na final do Carioca daquele ano.

[Sem vídeo disponível. Se você encontrá-lo, mande pra cá!]

Oportunismo no Futebol
Torneio Rio-São Paulo de Futebol, 2002. Fluminense e São Paulo se enfrentam no estádio do Morumbi. Falta para o tricolor paulista, e lá vai Rogério Ceni para a cobrança. Ele bate bem, marca o vigésimo gol de sua carreira e sai para comemorar com a torcida. O meio-campo Roger, do Fluminense, imediatamente recoloca a bola no centro do gramado, aguardando o reinício da partida. Ceni volta lentamente para a sua trave, e assim que o árbitro autoriza o tricolor carioca a tocar na bola, Roger não perdoa: chuta dali mesmo, fazendo um golaço. Mas que só foi possível, claro, porque o goleiro não estava no seu devido lugar.

‘Anta Sueca’ ataca na F-3000
Fórmula 3000, temporada 2003. Na categoria que representava, na época, o último passo antes da Fórmula 1, o fim de semana do GP de Mônaco é totalmente dominado pelo sueco Björn Wirdheim. Na verdade seria, não fosse por um detalhe: depois de marcar a pole, a melhor volta e liderar toda a prova do Principado, o piloto diminui a velocidade para comemorar a vitória com sua equipe. O faz a tal ponto que esquece que a bandeirada está posicionada cerca de cinqüenta metros à sua frente. Nisso, o dinamarquês Nicolas Kiesa, que vem em segundo, aproveita-se da bobeada e faz a ultrapassagem, deixando o desesperado concorrente no segundo lugar mais constrangedor da história do automobilismo. Depois deste episódio, Björn ganhou da imprensa o singelo apelido de ‘Anta Sueca’, ficando definitivamente queimado com os chefes da F-1.

Frustração pernambucana no Futebol
Campeonato Brasileiro de Futebol, decisão da Série B, 2005. Dois jogos, simultaneamente, encerram o quadrangular final para definir o time campeão e as duas vagas para a divisão principal. De um lado, o Santa Cruz vai superando a Portuguesa, enquanto a partida entre Náutico e Grêmio está paralisada, com um pênalti marcado contra o time gaúcho, que também tem vários jogadores expulsos. Com os resultados de momento, os dois pernambucanos se garantem na Série A, com o título nas mãos do Santa Cruz. Quando o primeiro jogo termina, a torcida do tricolor pernambucano festeja e incentiva o time a dar a volta olímpica com uma taça nas mãos, o que de fato acontece. Perto dali, a festa é da torcida do Náutico, que crê que o gol logo sairá, selando a classificação. No entanto, quando o jogo é reiniciado, aos 60 minutos do segundo tempo, o goleiro Galatto defende o pênalti batido por Ademar. Um minuto depois, o atacante Anderson avança sozinho e marca gol do Grêmio, o que não apenas garante o acesso, como também dá o título ao tricolor gaúcho. O Santa Cruz, que já comemorava, acaba como vice. E o Náutico, pior, tem que esperar mais um ano para subir à Série A do Brasileirão.

Pastelão no Ciclismo
Volta Ciclística de São Paulo, 2008. Na chegada, em São Carlos, diversos concorrentes estão agrupados nos últimos metros da prova. A liderança é do brasileiro Carlos França, que enxerga um pórtico inflável onde está escrito ‘chegada’ e larga o guidão de sua bicicleta, comemorando a vitória. Só que, se tivesse lido com mais atenção, ele teria visto também o aviso de ‘100 m’ escrito logo abaixo. Ainda comemorando, ele diminui a velocidade e percebe o que os demais competidores já sabiam: que a prova ainda não havia terminado. França volta a pedalar, mas não consegue recuperar as dezenas de posições perdidas, e a vitória fica com o argentino Edgar Simon.

Êxtase e decepção na Fórmula 1
Fórmula 1, GP do Brasil de 2008. Na decisão do Mundial, a vitória não basta para dar o título a Felipe Massa. É preciso, também, que seu rival Lewis Hamilton chegue no máximo em sexto lugar. A prova é temperada pela chuva, que vai e vem desde o início. Largando na pole, Felipe domina toda a corrida, enquanto Lewis encontra dificuldades, mantendo-se sempre entre o quarto e o quinto lugares. A duas voltas do fim, a chuva se intensifica e o alemão Sebastian Vettel faz uma bela ultrapassagem, deixando o piloto da McLaren em sexto. Começa a festa em Interlagos. Que só aumenta quando a Ferrari recebe a bandeirada. Felipe vence e comemora. A torcida comemora. A família comemora diante das câmeras da TV. Porém, a corrida ainda não havia terminado para o inglês. Na última curva, ele ultrapassa outro alemão, Timo Glock, e garante o título com um quinto lugar. E o sonho de Massa (e da torcida brasileira) fica para uma próxima vez.

Corredor misterioso
Depois de tantas comemorações fora de hora, se alguém souber quando e onde se deu esta cena do vídeo abaixo, é só deixar um comentário aqui no blog. Olhando assim, parece uma corrida de carros antigos para pilotos sem licença! É ou não é?

O que foi ao ar
Veja a matéria do Globo Esporte, versão Rio de Janeiro.

Vale lembrar que a versão de São Paulo da matéria não está disponível no Youtube, infelizmente.

[Vídeos retirados do Youtube, exceto do ciclismo, retirado do site Vídeos da Hora]

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2 comentários

  1. Eu estava no Brinco de Ouro na final do Brasileiro de 86 (que foi jogada em fevereiro de 87). Foi inacreditável. Inacreditavelmente lindo, aliás! 🙂

    Abs

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