Marcha lenta

Há coisas que só se vê em São Paulo. Como o gigantesco congestionamento desta quarta-feira, 10 de junho de 2009. A receita é fácil, veja só: pegue uma véspera de feriadão, misture com uma chuva intermitente desde o amanhecer e tempere com alguns acidentes nas principais vias. A maçaroca cresce a olhos vistos, resultando no maior engarrafamento da história da cidade.

A medição do tráfego paulistano, que acontece desde 1995, tinha como maior marca os 266 km do dia 9 de maio de 2008 (também pudera, não é todo dia que o blogueiro completa 32 anos de idade). Mas o movimento desta véspera de Corpus Christi bateu com folga o recorde anterior. Quem vive na maior metrópole da América do Sul não esquecerá tão cedo dia em que a ‘cidade que não pára’ amargou 293 km de congestionamentos. Praticamente a distância de um GP de Fórmula 1. Com a diferença que, neste caso, não havia ninguém a 300 por hora sobre o asfalto.

A alternativa para aliviar este sufoco, no entanto, ainda não foi desenvolvida com a atenção que merece. O sistema de transporte público, extremamente necessário em uma localidade deste porte, tem diversas linhas de ônibus e estações de metrô, que formam uma colcha de retalhos para o usuário. Não só pelos trajetos mal planejados. Isso foi “resolvido” com o bilhete único, que permite pegar várias conduções por um longo período pagando-se apenas uma passagem. As aspas estão aí só para lembrar que é um baita transtorno descer de um ônibus para esperar outro, fazendo o cidadão perder tempo e correr riscos diversos.

O que parece inexplicável, na verdade, são algumas incoerências crônicas. Como ver aqueles gigantescos ônibus sanfonados dobrando ruazinhas estreitas, ao passo que os abarrotados micro-ônibus rasgam as grandes avenidas, geralmente com o dobro de sua capacidade de passageiros. Sem falar nas linhas da mesma empresa que fazem trajetos tremendamente parecidos e saem do ponto final exatamente no mesmo instante, brincando de siga-o-chefe.

Felizmente, os trens urbanos receberam belas melhorias recentemente. Medidas adotadas também no metrô, que já conta com novos vagões, bem mais modernos e seguros. Neles, o conforto do ar condicionado se reflete na temperatura bem mais agradável e no silêncio da viagem (nada de janelas abertas!). Dá até para falar ao celular (já tem antena!) ou conversar com alguém ao seu lado – algo que nos trens anteriores era simplesmente impossível. Para completar, a decoração interna em cores mais vivas substitui a depressiva combinação bege-marrom-cinza das velhas composições.

O que não mudou, lamentavelmente, é a pouquíssima educação das pessoas, que não respeitam princípios básicos e lógicos, como deixar os outros passageiros saírem do vagão antes delas mesmas entrarem. A cada vez que isso acontece, a gente fica se perguntando se ter um pouco de civilidade é pedir demais…

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