Reedições

Outro dia quiseram reeditar a famosa foto de Senna-Prost-Piquet-Mansell usando como modelos os quatro postulantes ao título deste ano de 2007. Mas a Ferrari não deixou, e assim ficaram nos devendo a tal comparação.

Foto clássica tirada no fim de semana do GP de Portugal de 1986, com Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet / Foto: Agências Internacionais

Mas, com ou sem foto, é engraçado como a Fórmula 1 remete a si própria em diversas ocasiões. Esta guerra interna da McLaren, por exemplo, mescla duas famosas confusões que maçaram a categoria nos anos oitenta, justamente com os quatro personagens da tal foto: Piquet x Mansell, em 1986-87, na Williams, e Senna-Prost, em 1988-89, na mesma McLaren que hoje vive um inferno na relação Hamilton-Alonso.

A situação deflagrada após o GP da Hungria tem elementos suficientemente ricos para uma trama desse porte: Lewis Hamilton, o jovem talento que afronta o bicampeão. Fernando Alonso, piloto mais talentoso de sua geração, o homem que aposentou um ex-campeão, usando artimanhas para deter o garoto-prodígio.

Os lampejos de Hamilton são francamente comparáveis aos de Ayrton Senna. O brasileiro, à época estreante na McLaren, triturou o bem-reputado Prost logo no primeiro ano na equipe. Venceu corridas, ficou com o título, e se sentiu no direito de romper acordos de pista no início do ano seguinte. O garoto, pelo que se vê, foi mais rápido no gatilho…

Outra situação que encaixa Hamilton nos duelos do passado é o possível favorecimento que estaria acontecendo na equipe só pelo fato de serem todos britânicos como ele. Em 1986, o bicampeão Nelson Piquet chegou à Williams com status de primeiro piloto (tal como Alonso hoje), mas viu o time trabalhar para fazer o ‘leão’ campeão.

No ano seguinte, quando o desenvolvimento do carro deixou claro que a briga ficaria restrita aos dois, Piquet usou da malandragem para garantir o título praticamente sozinho. Malandragens similares (e às vezes até piores) que a de Alonso em Budapeste, onde ficou parado no box por mais alguns segundos e deixou Hamilton sem chances de fazer sua última flying lap.

O que deixa Fernando Alonso em apuros é perceber que Hamilton não é burro como Mansell, é mais frio que Senna e foi contratado por Ron Dennis quando tinha 13 anos de idade. Uma combinação que está tirando o sono do espanhol, já que não há contrato que pareça impedir o ímpeto do jovem inglês.

O campeonato pega fogo e o final dessa história é imprevisível. Não por acaso, os desfechos daquelas quatro temporadas estão entre as inúmeras possibilidades. Vejamos:

Mesmo com o melhor carro, Alonso e Hamilton tiram pontos um do outro e o título fica com um piloto come-quieto, feito Raikkonen (= 1986).

Alonso usa a experiência, acumula segundos lugares e leva Hamilton a um ou outro erro, vencendo o campeonato mesmo sem ser mais rápido que o companheiro (= 1987).

Hamilton continua avassalador, ganha mais corridas que Alonso e se beneficia do sistema de pontuação para faturar o caneco (=1988).

Alonso e Hamilton disputam pau a pau, o espanhol chega com vantagem nas provas finais e acaba com as pretensões do inglês numa manobra de caráter duvidoso, antes de mudar de equipe (= 1989).

Seja qual for o vencedor nesta guerra, o fato é que ela pode salvar a McLaren, que já foi ameaçada até de ser excluída do campeonato. As revistas especializadas que o digam…

Capa de uma edição da Autosport britânica em agosto de 2007 / Foto: reprodução InternetCapa de uma edição da Autosport britânica em agosto de 2007 / Foto: reprodução Internet

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1 comentário

  1. Se eu tivesse que apostar, diria que essa temporada termina mais ou menos parecida com a de 1986.

    Alonso e Hamilton estão tirando pontos um do outro e as Ferrari não estão tão longe. Não duvido nada se aparecer um Raikkonen no final e tirar o doce dos pilotos da McLaren.

    No início do ano, eu cravei o finlandês como campeâo. E, apesar de tudo o que ele já passou, ainda acho que Kimi tem chances.

    Grande abraço

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