Hamilton e a FIA

Ele tem apenas onze corridas de F-1 no currículo. É o líder do campeonato desde a terceira prova. Foi ao pódio em dez corridas, vencendo três delas. Que Lewis Hamilton é um fenômeno, ninguém discute. Mesmo se levamos em consideração que ele tem um dos melhores carros do grid – senão o melhor.

Mas o lado B dessa estréia arrebatadora já apareceu. O jovem piloto é um ótimo negócio para a Fórmula 1, por diversos motivos. Primeiro negro em quase seis décadas, melhor estreante de todos os tempos, ícone na Grã Bretanha (simplesmente o berço do automobilismo), e por aí vai. E é por isso mesmo que Hamilton leva consigo um valor agregado que extrapola o cockpit. Para os manda-chuvas da categoria, ter o inglês na pista significa audiência, empatia, boa política e, claro, dinheiro.

Lewis Hamilton na sexta-feira do GP da Hungria de F-1 2007 / Foto: Motorsport.com - Crédito: xpb.cc

Isso pode explicar o comportamento, digamos, “diferenciado” com que Lewis Hamilton vem sendo tratado pela FIA. No GP da Europa, ele aquaplanou e fez companhia a outros seis carros na caixa de brita. Teoricamente, todos em posição perigosa, o que permitiria que fossem devolvidos à pista. Mas, como estavam atolados, só sairiam dali com a ajuda de um trator. E foi justamente o que aconteceu com Hamilton, numa cena jamais vista na F-1.

Neste sábado, no qualify para o GP da Hungria, o moleque desobedeceu ao chefe, gritou no rádio, arrumou uma confusão nos pits e viu todo mundo ser punido por causa disso. Menos ele. Herdou a pole de Alonso, guiou com o pé nas costas e venceu a corrida no domingo. A FIA argumentou que as punições ocorreram porque as cenas no pit lane foram “prejudiciais aos interesses da competição e aos interesses do automobilismo em geral”, embora ali estivessem dois pilotos da mesma equipe, que em última análise decide quando é hora de mandá-los à pista.

Definitivamente, Lewis Hamilton é o novo “queridinho” da Fórmula 1. A sensação de impermeabilidade o fez cuspir cedo demais no prato em que come desde os 13 anos de idade. É bom que ele não se coloque nesse papel, pois atitudes baixas calcadas na impunidade já mancharam o currículo de outros pilotos no passado, inclusive de alguns campeões mundiais.

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