Guerra psicológica

Dois mil e sete vem se revelando uma temporada interessante por diversos aspectos. Um deles é o fato de termos duas equipes praticamente equivalentes, que até o momento estão tratando seus pilotos em igualdade de condições. Só isso já faz com que o campeonato se desenhe diferente daquilo que nos acostumamos nos últimos quinze anos.

Num cenário desses, cada detalhe equivale a uma dose de vantagem sobre o adversário, seja ele de um time rival ou o próprio companheiro de equipe. E cada um usa as armas que tem. Fazer pressão psicológica não é necessariamente uma novidade no circo, mas talvez seja exatamente este equilíbrio que tenha posto este fator em evidência novamente.

Alonso aponta masrca de pneu na lateral de sua McLaren após o GP da Europa de F-1 2007 / Foto: GLOBOESPORTE.COM - Crédito: reprodução da TVO bate-boca entre Fernando Alonso e Felipe Massa é absolutamente emblemático nesse aspecto. A rixa começou quando o espanhol reclamou do brasileiro na coletiva pós-corrida de Barcelona, onde os dois dividiram a primeira curva e Alonso levou a pior. No domingo chuvoso de Nürburgring, o bicampeão deu um “passadão” em Massa, tomou um toque e não perdeu a oportunidade de provocar. Recebeu a bandeirada, parou no parque fechado e comemorou timidamente. Aí chamou o cameraman para mostrar a marca do pneus de Massa na lateral da sua McLaren, insinuando com o dedo que isso não se faz.

Enquanto se preparavam para o pódio, os pilotos quase partiram para as vias de fato perante as câmeras. Massa ficou revoltado com a sugestão do espanhol de que o toque fora proposital e mandou um sonoro “vai cagar” em italiano. Recebeu como resposta um comentário irônico de que o brasileiro é que “bate em todo mundo”. Depois, na coletiva, Alonso disse que pegou pesado e pediu desculpas. Massa só aceitaria no dia seguinte. Sem entrar no mérito de eventuais multas por parte da FIA, a atitude mostra maturidade e esfria um pouco o clima que se viu naquela discussão.

Ron Dennis recebe o troféu de um sorumbático Michael Schumacher no pódio do GP da Europa de F-1 2007 / Foto: retirada do Blog do Ico, sem crédito divulgadoMas a guerra de nervos vai além da relação entre pilotos, além do constante desenvolvimento realizado pelos engenheiros de cada time e além das divididas sobre o asfalto. Um bom exemplo dos contornos que ela ganha nessa época do ano foi a gargalhada provocativa de Ron Dennis, praticamente zombando com a cara de Schumacher. O alemão estava ali para entregar o troféu ao representante do time vencedor, que ele esperava ser a Ferrari. E ficou com cara de quem comeu e não gostou quando passou a taça a Ron.

A guerra está longe de terminar, mas, neste round, o ponto foi para a McLaren.

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3 comentários

  1. Alexander, não sei se você chegou a ler o comentário do blog no site da Globo do Rafael Lopes e os comparativos de Massa e Schumacher. Como ele citou seu nome, então vim conferir seu blog e apreciei muito os comentários sobre automobilismo, sempre bem colocados, ao contrário do blog do Rafael.
    Bom, é ótimo ver disputas, mesmo que elas acabem provocando “faiscas” entre os pilotos, só espero que a BMW consiga chegar rápido ao grupo das equipes de ponta para termos mais disputas equilibradas como a de domingo.

  2. Alexander,
    Pq nos últimos 15 anos? Só pra livrar a cara do Senna né… Na verdade isso não acontece há 20 anos! O Senna também foi da era “um carro vencedor” e/ou “só vence o primeiro piloto”…
    É só uma pequena crítica, o blog é muito bom! Abraços…

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