Tudo aberto

Tudo bem. Sepang, Sahkir, Istambul e Shangai são grandes projetos, modernos e suntuosos. Mas nada como um circuito essencialmente tradicional para a nova geração da Fórmula 1 mostrar seu valor.

Os quatro personagens deste campeonato – até aqui imprevisível – brilharam em Silverstone, cada um à sua maneira. A corrida, por causa disso, ficou com aquela cara de categoria de base, uma espécie de GP2 encorpada. Mas, patriotismos à parte, valeu o ingresso.

Os últimos dois minutos da classificação foram de tirar o fôlego. Lewis Hamilton, jogando para a arquibancada, arrancou uma pole nos centésimos, com carro leve e pneus duros. Consolidou-se como o novo ídolo britânico, indo além do próprio automobilismo, mas alinhou no domingo sabendo que vencer não seria tarefa das mais fáceis.

Hamilton e Raikkonen duelaam no GP da Inglaterra de F-1 2007 / Foto: Motorsport.com - Crédito: xpb.cc

Quem mandou durante todo o fim de semana foi a Ferrari, nas mãos de Kimi Raikkonen. Cheio de moral com a vitória na França, o finlandês enfim aparenta ter se acertado com o equipamento e com os engenheiros. Não fosse a escapada na curva final da superpole, teria feito o melhor tempo e sumido na frente ao apagar das luzes.

Com carro para andar na frente, Massa optou por largar mais pesado. Mas nem a quarta posição no grid ele aproveitou. O motor apagado na largada fez o brasileiro largar em último e pode ter afetado decisivamente seu campeonato daqui por diante. No estilo ‘faca entre os dentes’, o brasileiro fez valer a força do equipamento e ganhou 11 posições em 10 voltas. Com ajuda das paradas de box, ainda conseguiu chegar em quinto, somando mais quatro pontos.

A McLaren, apesar de estar mais fraca que a rival em Silverstone, colocou dois pilotos no pódio manteve inalterada a diferença na liderança do campeonato. Alonso jogou com a tática e chegou onde lhe era possível. Se bem que a tática de estilingar após a primeira parada quase deu certo. Já Hamilton, depois da pole, andou forte na corrida enquanto esteve na frente. Mas parou cedo e levou o carro até o terceiro lugar, no nono pódio em nove provas disputadas na carreira.

Roleta

O interessante do GP da Inglaterra é que ele teve um líder em cada perna. Primeiro Hamilton, depois Alonso e enfim Raikkonen, que sabia ser o mais rápido e pilotou de olho na própria corrida. Tanto com Hamilton quanto com Alonso, ficar com os prateados na alça de mira foi a chave para o homem de gelo ganhar as posições nas paradas.

Nesta altura, ao contrário do que se previa há duas ou três corridas, nada de número 1 ou número 2 na Ferrari. Em vez disso, a escuderia deve se preocupar em orientar seus pilotos a não tirar pontos um do outro. Jogar com a inteligência é a única arma para derrotar a McLaren.

Hamilton vai cozinhar Alonso enquanto puder, mas o espanhol não é bicampeão mundial à toa. Talento faz diferença e ele tem condições, sim, de virar o jogo. O placar de 58×70 não é o fim do mundo, mas não custa lembrar que o campeonato já passou da metade.

Falando em diferença, uma observação: Robert Kubica é da mesma linhagem de Lewis Hamilton. Ainda não tem um ano como titular na F-1 e já deixou muito veterano no chinelo. Depois da pancada de Montreal, correu duas vezes e nas duas foi o ‘melhor do resto’. Neste domingo segurou Massa com um carro nitidamente inferior num circuito onde as ultrapassagens não são efetivamente impossíveis. Olho no cara.

E, claro, olho na equipe dele, a BMW. Daqui a duas semanas a Fórmula 1 chega à Alemanha. Será que vai pintar a primeira vitória fora do eixo Ferrari-McLaren nesse ano? Difícil, mas não impossível.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *