Kimineirinho

Ele não tem culpa de comer quietinho. Kimi Raikkonen, aquele que fora contratado para o lugar do alemão, voltou a vencer neste domingo em Magny-Cours. E o fez na maciota, beliscando pelas beiradas e aparecendo em primeiro lugar somente no momento que interessava em todo fim de semana: nas últimas voltas da prova.

'Sou de fazer, não sou de falar'. Kimi Raikkonen fugiu dos holofotes e, de mansinho, venceu na França
'Sou de fazer, não sou de falar'. Raikkonen fugiu dos holofotes e, de mansinho, venceu na França

O GP francês, como de costume, foi risível em emoções. Pouquíssimas ultrapassagens na “mesa de bilhar” e uma corrida decidida na base da equação qualify x estratégia. Fernando Alonso que o diga. Com o câmbio falhando no sábado, sofreu para melhorar na prova a 10ª posição do grid. Foi ajudado pela mão-amiga de Jarno Tulli, que rodou Kovalainen na primeira volta, jogou o finlandês para último e tirou a si próprio da corrida. O bicampeão tentou de todas as formas recuperar terreno, ultrapassou Fisichella e Heidfeld na base da raça, mas terminou a prova atrás dois dois, num distante sétimo lugar.

O resultado deixou Alonso ainda na vice-liderança do Mundial, mas agora a intermináveis 14 pontos de Lewis Hamilton. O inglês foi ao pódio pela oitava vez nas oito corridas de Fórmula 1 que disputou na vida e agora está com 64.

Fora o incidente provocado pela pressa de Albers, que arrancou dos boxes com a mangueira de reabastecimento agarrada ao carro da Spyker, não há muito a destacar do fundo do pelotão. Notável o progresso da Honda (considerando-se o fiasco de semanas atrás), brigando com Toyota e Red Bull. Ralf Schumacher, que sempre andou forte em Magny-Cours, só despachou Barichello quando fez o pit stop. E foi à luta. Mas o pontinho que sobrou com a rodada de Kovalainen ficou mesmo com Jenson Button, a bordo da outra Honda.

Embalado pelo “milagre de João Paulo II”, que certamente será reconhecido pela Igreja Católica em um futuro próximo (quem sabe aproveitam para anunciar o GP do Vaticano), Robert Kubica voltou em grande estilo e manteve o quarto lugar conquistado na classificação, atás de Hamilton e das Ferrari.

E, quem diria, foram justamente as Ferrari que trouxeram de volta ao campeonato um pouco da graça perdida depois de três acachapantes vitórias da McLaren. Felipe Massa, veloz desde a sexta-feira, comandou o fim de semana. Largou na pole e fez uma série de voltas rápidas no início da prova. Mas que não foram suficientes para deter um sujeito que largava exatamente na direção de seus retrovisores.

Raikkonen aproveitou a pista emborrachada no lado ímpar do grid e deixou Hamilton para trás antes da primeira curva. Comboiou Massa a uma distância segura, mesmo com o brasileiro marcando a volta mais rápida da corrida. Foi para a segunda perna mais pesado, manteve um bom ritmo e voou com pista livre nas voltas antes do último pit stop. Problema para Massa, que tinha parado três giros antes. Além de andar mais lento por causa do peso, ele era prejudicado também pelos retardatários que brigavam por posições à sua frente. Sagacidade de um, azar de outro, e de repente lá estava o finlandês na liderança.

Felipe reclamou do tráfego na coletiva, mas o conformismo em seu semblante deixa a sensação de que, na pista, ele ainda alimentava um certo conforto psicológico por conta da vantagem conquistada nos treinos. Será que dava para andar mais na primeira parte? Agora não importa. Raikkonen fez o que tinha que fazer, e em momento algum se deixou abalar pela velocidade de Felipe. Até o momento da largada, era dado como “cachorro morto”. Agora que venceu, deixa os números à mostra: com 47×42, não está tão fora do páreo como se imaginava. Massa que se cuide dentro da Ferrari.

O campeonato vai sobrevivendo às hegemonias temporárias e tem quatro pilotos com duas vitorias cada. Um cenário no mínimo interessante, onde o diferencial será a regularidade. Um pódio “fora de casa” tem sabor de vítoria em determinados momentos.

Em tempo: Magny-Cours não vai deixar saudade. Enquanto ninguém sabe onde será o GP da França do ano que vem, voltamos as atenções para Silverstone e a Lewismania, no próximo domingo. É bem provável que o jovem não quebre, ou sequer envergue diante da pressão da mídia. Mas seria muita ironia se acontecesse ali, diante de torcida local, o primeiro infortúnio do inglês. Epa, cala-te boca…

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1 comentário

  1. Peca pela falta de ousadia, mas é um bom piloto. Mesmo assim, acho que o Heidfeld seria um melhor piloto para a Ferrari.

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