Dormindo ao volante

O fim de semana cheio de velocidade foi de certa forma frustrante para os fãs do esporte a motor. Corridas chatas, chuva no continente errado e pouca emoção marcaram as 500 Milhas de Indianápolis e GPs de Mônaco da Fórmula 1 e da GP2.

A categoria máxima já tinha gasto a maior parte dos atrativos entre a quinta-feira e o sábado. Nos treinos livres, um festival de pancadas nos guard-rails, uma delas protagonizada pelo até então invicto Lewis Hamilton. Na classificação, o que se viu foi um dos favoritos ficando pelo caminho num esbarrão bobo nos ‘esses’ da piscina. O erro de Raikkonen o jogou para 16º e quase deu um prejuízo ao companheiro Massa, que freou a tempo e garantiu o terceiro posto no grid.

Até então, a dobradinha da McLaren tinha Hamilton na pole, mas Fernando Alonso arrumou uma ótima volta quase no fim e deixou o inglês em segundo. Massa fez o dele e quem apareceu bem nesta classificação foi Fisichella, arrastando a Renault para a segunda fila.

Assim largaram, assim chegaram.

Sem água, a corrida teve cara de siga-o-chefe, com um detalhe: faltou pouco para a dupla prateada colocar uma volta sobre o terceiro colocado. Só que Massa não era o único a subir ao pódio com cara de poucos amigos. O semblante de Hamilton (e de seu pai, que estava a poucos metros), denunciava uma atitude pra lá de ferrarista da McLaren de Ron Dennis.

Sim, Hamilton poderia ter vencido. A estratégia do inglês lhe daria uma vantagem sobre Alonso após o primeiro pit stop. Mas a equipe tratou de minar o ímpeto do garoto, chamando o piloto para fazer sua parada mais cedo. Isso mostrou que a equipe ainda aposta, obviamente, no primeiro piloto para lutar pelo título. As performances assombrosas do segundo piloto é que não estavam no script do tricampeonato.

A FIA, protetora-mór da Ferrari, anunciou que vai estudar o ocorrido e tomar uma atitude se necesário. Pena que não fizeram isso nos dez anos em que a equipe italiana jogou o esporte no vaso e deu descarga. Ao contrário, até ajudaram a mandar pro esgoto os rivais de Maranello. Lembram da repentina proibição do amortecedor da Renault, que passou mais de um ano dentro do regulamento? Pois é…

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Até a GP2, que hoje em dia tem mais graça do que a F-1, não conseguiu uma boa corrida no Principado. A garotada que não mede esforços para ganhar uma posição ficou procurando brechas que não existem na pista de Monte Carlo e nem viu o venezuelano Pastor maldonado vencer. O pupilo de Hugo Chavez, que sintomaticamente largou na pole, dominou com autoridade. Os brasileiros não conseguiram muita coisa, mas pelo menos Lucas Di Grassi e Antônio Pizzonia pontuaram, respectivamente com um quinto e um oitavo lugares. O campeonato está abertíssimo.

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Depois de tanta procissão, o programa da tarde era ficar ligado na Indy 500. A possibilidade de chuva a partir da metade da prova insinuava uma corrida ‘pé-embaixo’. E foi o que aconteceu. Mas, como não era um estadunidense que estava na ponta quando a água caiu, a prova foi interrompida – e não encerrada – na 113ª volta e quase não terminou por falta de luz natural.

Tony Kanaan, que era o líder àquela altura, penou nas 53 voltas seguintes. Teve problemas, rodou e terminou em 12º, muito atrás do companheiro de equipe Dario Franchitti. O escocês venceu a corrida e deixou os 500.000 americanos com aquele gosto de cabo de guarda-chuva, esperando sentados pela vitória de um piloto local. É, brothers, ficou para o ano que vem…

Ficou para o ano que vem, também, a possível terceira vitória de Hélio Castro Neves. A fantástica pole do piloto da Penske, que parecia um bom indício, pouco ajudou. Ele e a equipe sofreram com falhas do equipamento desde a volta de apresentação e, mesmo assim, levaram o carro à terceira posição. Outros brazucas: Vitor Meira foi o 10º e Roberto Moreno foi o primeiro a encontrar o muro.

Indy é assim. Imprevisível na pista, previsível nos bastidores. Ao contrário da F-1, que continua previsível na pista e cada vez mais surpreendente fora dela.

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3 comentários

  1. o amortecedor de massa, o pneu da michelin, coisas que depois de testadas e aprovadas pela concorrência e que não funcionaram nos carros vermelhos, se tornaram ilegais…

  2. Tem alguma corrida da temporada de F1 desse ano que não tenha sido chata?
    Nem Mônaco, com suas tradicionais visitas ao guard-rail escapou da chatice.

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