Papa Móvel

Não foi uma ordem de equipe, mas a Fórmula 1 cedeu passagem ao alemão. Com o Cardeal Ratzinger na TV, muita gente teve que se virar para acompanhar a prova a partir da segunda hora. Valeu Internet, um tal de spotcast e, claro, o bom e velho rádio. Que, graças a Deus, continua firme e forte.

Contrariando a tradição de procissão, o GP espanhol teve algumas surpresas. Algumas delas fruto do acaso, é verdade. Não foi uma prova maravilhosa – afinal não dá para fazer milagres na Fórmula 1 de hoje em dia –, mas deu para compensar a penitência dos fiéis que acompanharam as corridas dos anos anteriores.

Massa e Alonso trocam tintas na largada do GP da Espanha de F-1 2007 / Foto: Motorsport.com - Crédito: xpb.cc

O pole Felipe Massa, apóstolo de Schumacher, mostrou que aprendeu direitinho os mandamentos de seu professor. Humilhado pelo que se desenhava uma bela ultrapassagem de Alonso – por fora – na primeira curva, foi inacreditavelmente exaltado ao jogar o espanhol longe na tomada da segunda perna. A atitude lhe devolveu a liderança de maneira definitiva. E a partir daí, com uma boa estratégia de paradas, foi só seguir o caminho das pedras até a bandeirada.

Com o carro avariado pelo empurrão, o bicampeão se manteve na corrida como pôde. Controlou a progressão de Kubica e agradeceu aos céus quando Raikkonen parou com problemas elétricos. O terceiro lugar até que foi lucro. Zangado no pódio, continuou sem olhar para o vencedor durante a coletiva, quando deixou claro (em inglês e espanhol) que depois da batida eles poderiam ter ficado pelo caminho ali mesmo.

Ah, sim. Lewis Hamilton largou em quarto lugar e fez sua já tradicional ‘prova-cabeça’. Correndo na dele, foi o segundo colocado e é o líder isolado do Mundial com quatro corridas no currículo. O melhor estreante do todos os tempos? Sim. Mas, só para efeito de comparação, Jacques Villeneuve venceu sua quarta prova, numa época em que não havia este sistema de pontuação que desvaloriza a vitória.

Massa espalha para cima de Alonso na largada do GP da Espanha de F-1 2007 / Foto: Motorsport.com - Crédito: xpb.

E que pode não parecer, mas faz toda a diferença. O campeonato mostra Hamilton com 30 pontos, Alonso com 28, Massa com 27 e Raikkonen com 22. Se ainda estivéssemos com o esquema 10-6-4, o inglês teria 22 pontos, mesma pontuação do companheiro Alonso. Eles estariam à frente de Raikkonen (18), porém atrás do líder Felipe Massa, que teria 23. É, Mr. Mosley… cuidado para não ser crucificado ao fim da temporada.

* * *

Vamos, rapidamente, voltar à prova do ano passado. A Renault, soberana, proporcionando o primeiro hat-trick a Fernando Alonso. A Super Aguri, figurante, correndo com o moribundo chassi da Arrows de 2002 e deixando Takuma Sato em último lugar, a quatro voltas do vencedor. Apenas 12 meses depois, o cenário é outro: Aguri andando uma barbaridade para um time B, ganhando posições sobre a matriz, e a Renault – atual bicampeã – descendo ladeira, brigando por pontos. A briga Sato-Fisichella foi uma das melhores da prova e quem terminou na frente, pois é, foi o japonês, que marcou o primeiro ponto da história da equipe.

Falando em Renault, menção honrosa a David Coulthard, que foi para a superpole e levou seu Red Bull com o motor francês ao quinto lugar, duas posições à frente de Kovalainen e quatro de Fisichella.

A Williams de novo nos pontos com Rosberg é o sintoma mais claro do renascimento da equipe inglesa. Que vai ser longo, ainda, mas que é promissor se considerarmos que a Toyota, fornecedora de motores do time de Frank Williams, mais uma vez se perdeu pelo caminho.

A ex-parceira BMW, agora dona do próprio nariz, se firmou mesmo como terceira força. Heidfeld teve um dia onde tudo deu errado, à moda Mansell. Mas o polonês Kubica estava lá para garantir um quarto lugar para a equipe, pela quarta prova seguida.

Com um olho na GP2 e outro na F-1, cabe uma perguntinha rápida: a vaga Scott Speed na Toro Rosso sobrevive ao período pós América do Norte?

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