Questão de mercado

O chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, anunciou hoje que a cidade espanhola de Valência receberá uma etapa do Mundial a partir do ano que vem. O curioso é que o belíssimo circuito Ricardo Tormo, que de vez em quando recebe treinos coletivos das equipes, não será utilizado. Os carros vão correr num traçado urbano, que já está definido.

A corrida será batizada de GP do Mediterrâneo ou, simplesmente, de GP da Europa. Ou seja: nenhum conflito com Barcelona, pista titular do GP da Espanha há quinze anos.

O fato do país sediar duas etapas tem uma única razão: ampliar ainda mais o fabuloso mercado que a categoria abriu em terras espanholas desde que Fernando Alonso começou a vencer corridas. Antes mesmo da primeira vitória do asturiano, em 2003, a chamada Alonsomania mostrava uma surpreendente motivação dos espanhóis em ‘consumir’ a categoria. Até então a modalidade favorita da torcida era a Motovelocidade.

A opção por uma segunda etapa num país com grande horizonte mercadológico não é inédita. Até o ano passado, o GP da Europa era realizado em Nürburgring, Alemanha. Além de mais um GP para Schumacher correr em casa, a corrida era justificada pelos investimentos de diversos patrocinadores e de montadoras como a Mercedes e a BMW. E assim foi por uma década.

Em alguns casos, a adição de um segunda prova envolve questões políticas. E nesse quesito nenhuma equipe tem força comparada à da Ferrari. O que se reflete, infelizmente, em diversas decisões da FIA que pendem para o lado de Maranello. E não é de hoje. Essa é uma das explicações para a categoria ter passado 25 anos com duas corridas na Itália, uma delas disfarçada de GP de San Marino.

O consolo para o telespectador é poder, ao menos, acompanhar corridas em países com grande tradição no automobilismo. Porque, convenhamos… GPs na Espanha, Alemanha e Itália têm muito mais alma do que os circos armados em praças como Bahrein, Malásia e Emirados Árabes.

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1 comentário

  1. Na verdade meu amigo ( azul é %@$#$@?@) acredito que a corrida deva mesmo se chamar Grande Prêmio do Mediterrâneo, pois os administradores de Hockenheim estão tentando impedir que Nurburgring use o nome “Grande Prêmio da Alemanha”, ou seja, essa pista continuará segurando o nome… seria estranho que a corrida tivesse o nome de “Europa” apenas quando Nurburgring estivesse de fora…

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