O poder da excelência

Costumo dizer que campeonato mundial de qualquer coisa é importante, não importa do que ele seja. Nestas ocasiões se encontram os melhores do planeta naquela determinada modalidade, e não faz a menor diferença se o esporte em questão tem ou não projeção no nosso país. O altíssimo nível técnico tem o poder de encantar até aqueles que não têm a menor familiaridade com determinadas atividades.

Essa é uma experiência interessante, que vivi nesta madrugada durante a produção do Mundial de Esportes Aquáticos. Há muito tempo eu não assistia a uma decisão como a que Hungria e Croácia fizeram no pólo aquático masculino. De forma geral, foi marcante o equilíbrio em todas as demais decisões. Várias provas foram decididas na prorrogação, como as disputas do quinto e do terceiro lugares. Neste último, a Espanha levou a melhor sobre a Sérvia e garantiu a vaga na Olimpíada de 2008.

Os finalistas já estavam garantidos em Pequim, mas não economizaram no fôlego para faturar o tão sonhado ouro no Mundial. Em uma partida emocionante e cheia de alternativas, húngaros e croatas empolgaram o público presente e terminaram o tempo normal empatados em 7 a 7, depois de diversas viradas no placar.

Os croatas faziam a chamada marcação-pressão e mantinham mais a posse de bola. Enquanto isso, os Húngaros marcavam por zona, deixando um jogador livre e explorando os contrataques. Perto do fim da partida, a Hungria modificou o estilo de marcação, o que deixou o time mais ofensivo e vulnerável. Assim a equipe conseguiu ser a primeira a abrir dois gols de vantagem, mas cedeu o empate nos instantes finais e o jogo foi para a prorrogação.

Depois de muitas bolas na trave dos dois lados, a organização tática da equipe croata prevaleceu. No último minuto, com um gol a mais, o time parecia ocupar toda a piscina. Sufocou os ataques húngaros e garantiu a vitóra por 9 a 8.

Este é o primeiro título expressivo desta seleção depois da separação da Ioguslávia. E logo sobre os húngaros, bicampeões mundiais, que foram prata na edição de 2005 em Montreal. Na semi, já haviam derrotado os sérvios, ex-conterrâneos, estes sim uma verdadeira potência no esporte.

Pela emoção demonstrada pelos atletas e pela comissão técnica na comemoração dentro d’água – os que não estavam lá foram devidamente jogados – dá para perceber o quanto as conquistas como esta são importantes. De cá, no país do jeitinho, fica a sensação de que temos ainda muito a aprender com estes exemplos. A excelência não apenas leva ao sucesso, mas também mostra que pode ser tão encantadora quanto um drible, uma finta ou um lance bonito. Definitivamente, o esporte de alto nível não é feito só de lances moleques.

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1 comentário

  1. De fato, meu caro Gruenwald, o “país do jeitinho” tem muito a crescer neste sentido.

    Somos um país ainda imaturo, frustrado, que tem no esporte uma mera válvula de escape para os problemas do quotidiano. Vitórias de aparência fácil, que fazem tudo parecer tragicamente simples.

    Futebol, medalhas de ouro, automobilismo foram e são uma tentativa de criar um patriotismo à base de atletas envoltos em bandeiras e a mídia, em gritos ufanistas, que na verdade não vão a fundo em soluções para que tenhamos, enfim, uma nação de fato:

    – Quem somos nesta nação?
    – Que papel exercemos na sociedade?
    – O que fazer para mudar a situação?

    Ao invés de olhar para países estrangeiros e invejar seu progresso e benesses sociais, obtidas não gratuitamente, mas a muito custo e sacrifício.

    Forte abraço!

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