Cinemas, cartas e lembranças

Poesia audiovisual no papel de Pablo Neruda
Poesia audiovisual no papel de Pablo Neruda

O mundo do cinema perdeu nesta quinta, aos 76 anos, o ator Philippe Noiret. Um francês que ficou conhecido do grande público quando já era um veterano, graças às suas atuações em Cinema Paradiso e O Carteiro e o Poeta, verdadeiros clássicos da fase moderna da sétima arte.

O segundo é um daqueles filmes para ver e rever. Apreciar detalhes, apurar o ritmo, saborear a narrativa sensível que comove em diversos momentos. Assim como é também comovente a história do Paradiso, de roteiro emoldurado por um viés poético, que tem como fio condutor uma auto-referência ao encanto e à magia do próprio cinema.

Não queria trazer esta crônica à primeira pessoa, mas é impossível deixar de citar um episódio ocorrido comigo quando Cinema Paradiso estreou nas salas brasileiras.

Estávamos em 1989. Os cinemas de rua ainda não tinham sido engolidos pelos shopping-centers. Ainda havia, sim, traços de uma época mais romântica, quando era possível gastar a tarde passeando ao ar livre, comendo pipoca na praça e assistindo a um bom filme. Um cenário que não existe mais, sufocado pela correria e pela violência das grandes cidades.

Pois quis o destino que uma sessão de Cinema Paradiso nunca terminasse.

Um filme no qual nada pode ser mais envolvente que o cinema
Um filme no qual nada pode ser mais envolvente que o cinema

Ao contrário de ‘Carteiro’, ‘Paradiso’ é um filme que eu não assisti no cinema. Por um motivo muito simples: a sala de exibição que escolhi pegou fogo durante uma projeção. Uma coincidência, eu diria uma intertextualidade aplicada na vida real, que foi evitada pro um atraso bobo de dez minutos. O suficiente para me fazer desistir daquela sessão das seis e meia.

Depois dela, a sala nunca mais reabriu. E eu deixei o filme decantado no meu imaginário, esperando aquele momento correto – que nunca chega – para assisti-lo com a devida atenção. Por isso, ao saber que Philippe Noiret não está mais entre nós, decidi me dar um presente neste Natal. Vou comprar o DVD de Cinema Paradiso. Nunca tinha me tocado, mas sempre teve um lugar para ele na estante. Por sinal, bem ao lado de O Carteiro e o Poeta.

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2 comentários

  1. Você deixou de dizer que além de engolidos por shopping-centers, viraram igrejas universais!!!!! Eu não assisti, ainda, o Carteiro e o Poeta, mas pude apreciar o belo Cinema Paradiso! Sem dúvida, uma obra de arte!!! O último filme que vi em uma sala de cinema de rua ( ali na Praça Saens Pena) foi o ARQUIVO X, a mais ou menos oito anos atrás (estamos ficando velhos, meu amigo).

    Forte abraço, Machado.

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