Corridas e corridas

Não são apenas as corridas motorizadas que me cativam. Aos 15 anos de idade – quando já tinha assistido a cinco temporadas de Fórmula 1 na TV – descobri o prazer das provas de atletismo de longa distância. Um professor de educação física sacou o potencial, recomendou uma visita ao estádio Célio de Barros e pouco tempo depois eu estava treinando nas categorias de base do Fluminense. Infelizmente só pratiquei por dois anos, embora tivesse vontade de ir além. Ainda assim, a paixão ficou.

Atropelado pela correria do dia-a-dia, nunca mais voltei à velha forma. Já cheguei à casa dos 30 e, enquanto não volto a calçar o tênis, me resta acompanhar o noticiário e torcer pelos brasileiros que se aventuram mundo afora. Neste fim de semana, durante meu plantão, dei de cara com uma notícia de agência que chegou no correio eletrônico da redação: “Brasileño Marilson dos Santos gana la Maratón de Nueva York”. Ora ora, muy bueno!!!

Marilson fez seu vôo solo a partir do 33º quilômetro
Marilson fez seu vôo solo a partir do 33º km

Envolvido na produção do clássico carioca da rodada do campeonato brasileiro de futebol, acompanhei no meu canto o esforço do pessoal do núcleo e do escritório de NY. E fiquei muito feliz por ver que o feito de Marilson teve a repercussão que merecia. Talvez até merecesse mais, porém este é mesmo o ‘país do futebol’…

É bom ressaltar: o que o nosso bravo corredor conseguiu não é pouco, não. Entre as maratonas anuais, a prova estadunidense é a mais tradicional do mundo. Reúne os melhores atletas do planeta, tem 36400 participantes selecionados a partir de mais de 120 mil inscritos. E, até o último domingo, nunca tinha sido vencida por um sulamericano. Some-se a isso o fato de que Marilson cruzou em primeiro com um tempo abaixo das 2h10m, o que aumentou em 25 mil dólares o prêmio original de 130 mil.

Marilson segue os passos (sem trocadilhos) do queniano Paul Tergat, que conquistou Nova York em 2005. Assim como ele, o brasileiro faturou mais de uma vez a São Silvestre e trocou as provas de 10 e 15 km pelas maratonas. A diferença é que Marilson venceu logo na sua quinta participação em provas de 42km. E logo onde…

Aos 29 anos, Marilson Gomes dos Santos entra de vez para a Galeria de Ouro do atletismo brasileiro. E, apesar de ter praticamente garantido o índice para o Pan do Rio, em 2007, avisa que vai ficar mesmo nas provas mais curtas. Disputar maratonas novamente, só na Olimpíada de Pequim, em 2008.

A segunda-feira do atleta foi de celebridade. Homenagens em toda a cidade, inclusive fechando o pregão da bolsa; manchetes em diversos jornais do mundo, autógrafos, abraços, entrevistas, apertos de mão, flashes. Algo que o jornal O Globo chamou de “Marilson’s Day”. Quando chegar ao Brasil, ele provavelmente será recebido por um caminhão de bombeiros. E não poderia mesmo ser diferente. Marilson é um batalhador, e merece nossos aplausos. Hoje e sempre.

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