Domingo brazuca

Quem acompanha o Fórmula Grün sabe que já escrevi aqui sobre um domingo espanhol (post 036) e também um italiano (post 057). Eis que agora, finalmente, chegou a vez de um domingo ser nosso. Ser verde e amarelo, ser vencedor. E, ironicamente, a hora chegou sem que o futebol tivesse a mínima participação nessa história.

Trabalhando das 4 da manhã às 4 da tarde, acompanhei da redação do canal cada uma das vitórias que transformaram o Hino Nacional Brasileiro em hit dominical. Comecei produzindo a transmissão do Grand Prix de Volêi Feminino. Enquanto amanhecia no Brasil, nossas meninas davam um acachapante três a zero nas chinesas em Macau. Em uma terra onde falar português não é exatamente uma novidade, as atuais campeãs olímpicas tentaram, em vão, traduzir nossas jogadas. A seleção fechou a primeira fase na liderança da competição.

Seleção Brasileira de Vôlei comemora o hexa na Liga Mundial 2006 / Foto: Agências Internacionais O voleibol continuou na telinha à tarde. Oito semanas depois da ajeitada de meias do futebol nos campos alemães, a seleção masculina queria nos vingar da glória francesa na Liga Mundial. E o fez em grande estilo. O sonhado hexa com a amarelinha veio em uma virada pra lá de emocionante. A França tinha dois sets ganhos, mas perder não estava no script do vitorioso técnico Bernardinho, que utilizou nada menos que 12 jogadores na partida. Liderados por Giba, os rapazes levaram o jogo para o tie break e venceram com autoridade. Alto do pódio de novo, Hino Nacional tocando mais uma vez.

Durante a programção, soube ainda que nossas duplas fizeram bonito no Mundial Sub-21 de Vôlei de Praia. Pedro Solberg / Bruno Schimidt venceram no masculino e Carol Aragão / Bárbara Figueiredo no feminino. A competição aconteceu na Polônia, que teve uma dupla “da casa” na final masculina.

Banho Turco
E antes que você me pergunte se esqueci da Fórmula 1, devo avisar uma coisa. Gostei muito da pole-position de Felipe Massa no sábado, mas concordei com Rubens Barrichello quando este declarou que o piloto deveria comemorar muito: “a gente sabe como a Ferrari trabalha”, disse ele.

Escaldado pela experiência do compatriota, que passou seis anos prestando bons serviços ao heptacampeão mundial (Schumacher garantiu cinco desses títulos tendo Rubens ao seu lado), Massa largou sabendo que o sonho de vencer dificilmente seria realizado. A qualquer momento deveria obedecer o chefe e ceder a suada primeira posição ao alemão. Ossos do ofício para quem assinou com a equipe mais anti-esportiva do mundo.

Felipe Massa e Fernando Alonso na coletiva após o GP da Turquia de Fórmula 1 2006 / Foto: AP Correndo tranqüilamente em segundo, Dick só não contava com um imprevisto. Numa inevitável manobra de box, a Renault engoliu a Ferrari e colocou o campeão Fernando Alonso à sua frente. Isso deixou Schumacher descontrolado. Ele teve cerca de 40 voltas para tentar a ultrapassagem, mas não conseguiu. É algo que fez pouco durante sua carreira, e contra um piloto talentoso como Alonso, a tarefa fica ainda mais complicada. Mesmo em Istambul, que tem uma pista consideravelmente mais larga que Ímola, por exemplo. Até uma generosa espalhada o alemão deu, tendo que se conformar com a terceira posição que pode lhe custar o campeonato.

Felipe Massa, que não tinha nada a ver com briga dos campeões, seguiu na ponta. Seu pai, no box, sofria a cada fechada de Alonso. Sabia que estava nas mãos do espanhol a manutenção daquele resultado. E sofreu, vendo Felipe ser obrigado a diminuir o ritmo diante dos ataques do alemão, tanto que ele recebeu a bandeirada “na mesma foto” da dupla.

Aliviado no pódio, Felipe não chorou, embora fosse latente sua vontade. Simplesmente mostrou o dedo indicador, ouviu o Hino Nacional e estourou a champagne. Sim, Felipe venceu. E, ainda no rádio, lamentou pelo alemão. Mas, no fundo, queria era agradecer ao espanhol por seu domingo verde e amarelo.

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1 comentário

  1. Hoje li no Grande Prêmio que o Cristiano Da Matta acordou ontem e hoje conversou em inglês e tocou violão com o irmão. Quando ouvi a notícia sobre o Da Matta, levei um susto, primeiro pelo inusitado e depois por ter uma admiração grande pelo cara nos tempos de Fórmula 1. Claro que não estou falando só dos resultados obtidos com a Toyota, mas pelo prazer em ouvi-lo em entrevistas com seu sotaque mineiro e seu jeito aberto de falar com os jornalistas – bem diferente do que acontece em geral naquele meio. Até hoje minha noiva me pergunta sobre aquele sujeito engraçado que me fazia rir nos sisudos domingos de Fórmula 1. Então me pego a pensar, além de talento, falta humor à F-1, que falta faz o Piquet e as piadas sobre o Mansell.

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